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Um homem de meia idade ainda solteiro…

Imagem: Reprodução

Por Adão Gomes

É antagônico, mas com a realidade à flor da pele tudo muda. Pois, viver no meio da galera jovem faz a diferença para qualquer pessoa. Não tenho como apaixonar-me por mulheres de 30 anos. Como conquistar relacionamentos se não estamos perto deles? Ainda mais quando temos pela frente; momentos tumultuados, como perda do único filho, como ser operado do coração antes de sofrer infarto ou derrame e fazendo uma operação no qual carrego comigo para sempre: quatro pontes de safenas e uma mamária. Tudo isso, muda a qualidade de vida…. “ Muda tuuudooooooo!”

Querer dar continuidade ao espírito família e ter uma família tornou-se também um dos meus maiores desafios. No entanto, como comunicador das baladas , da turma jovem de Manaus, cuja história vocês poderão ver com maior detalhes no meu perfil do Facebook – Adão José Gomes. Encontrar a outra parte para sentir o privilégio de ter ao lado uma lady, abrir a porta do carro, puxar a cadeira no restaurante, ligar para dizer que ela é linda e outras coisas que nós, homens de meia idade, possuímos fica de lado e vamos tocando a vida como ela é. Então curtam um pouco da minha vida aqui, quem sabe poderão entender um pouco do pouco de tudo…

Quem me conhece da coluna de jornal ou da TV e me vê alegre, divertido, festeiro, talvez não imagine a dor que carrego no peito. O sofrimento quase insuportável que agora, infelizmente, também estão sentindo os pais do pequeno João Hélio, vítima da violência que assombra o Brasil, assim como muitos outros que passaram pela terrível experiência de perder um filho.

Leonardo era um filho único de apenas 20 anos. Como todo pai coruja, eu o considerava lindo, estudioso, alegre e respeitador. Cursava o primeiro ano de Ciências da Computação na Fucapi e Letras na UFAM . Tínhamos uma relação mais de amigos do que de pai e filho. Meu orgulho estava nas alturas e tinha a segurança de que deixaria em boas mãos tudo que construímos juntos.

Um dia meu castelo de sonhos desmoronou. A fatalidade, associada à negligência e ao desrespeito, tirou de mim meu bem mais precioso. Há exatos oito anos, às 17h45 do dia 16 de fevereiro de 1999, uma terça-feira de Carnaval, no cruzamento da Avenida Sete de Setembro com a Rua Visconde de Porto Alegre, um acidente de trânsito tirou a vida do meu filho e essa notícia quase tirou a minha também. Não podia acreditar no que o destino estava fazendo comigo. Quando tudo parecia ir bem e começávamos um caminho promissor, veio a desgraça, exatamente como no caso do pequeno Hélio.

Quando algo muito triste e irremediável acontece nas nossas vidas é difícil encontrar forças e recomeçar, dar continuidade, encontrar razão para viver. Deus, os amigos, os admiradores e a memória do meu querido Leonardo me fizeram reunir forças que eu não imaginava que possuía. A dor continua viva e forte, mas ela serve de combustível para celebrar a vida, irradiar alegria e hoje quero que sirva também para conscientizar, apelar ao bom senso.

A gente tende a imaginar que é imune às desgraças até que elas nos alcancem. Não é possível controlar o destino, mas é perfeitamente viável colaborar com ele para que o perigo fique longe. Então apelo aos pais para que fiquem muito atentos aos seus filhos e os protejam das drogas, da AIDS, dos vícios e do trânsito e, às vezes, até de si mesmos. É esse o nosso papel. Espero sinceramente poder contribuir com os pais e os jovens na redução dos males que afligem a cidade de Manaus, que adotei como minha.

Por fim, quero agradecer à enorme legião de amigos que o Léo deixou, que considero como seu maior legado e minha maior herança.Valeu, galera! Fico por aqui sem o meu filho e sem uma grande mulher.

Confira os outros posts da série A Falta Que Elas Fazem:

A distância que machuca, também ensina

Uma amizade para 500 anos

Longe ou perto, mãe é mãe!

Mais que irmãs

“No fim tudo dá certo, e se não deu certo é porque não chegou ao fim.”

 

 

 

 

 

Adão Gomes,

Jornalista e Apresentador de TV.

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