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Sociedade: um lugar para todos

Imagem: Reprodução

O respeito às diferentes capacidades do homem deveria ser condição básica nas relações humanas. Mas por mais óbvio que isso seja, nota-se que o exercício cotidiano desta atitude revela o quanto é difícil pensar na realidade de vida dos que apresentam alguma limitação, seja física, mental ou de capital.

A inclusão está relacionada aos que não têm as mesmas oportunidades dentro da sociedade. Deficientes físicos e mentais, idosos, negros e os que passam por extrema dificuldade financeira são excluídos ferozmente na ambiência moderna, transformando-se numa minoria amarga, porém, não menos importante. E é a eles que dedicamos a série Sociedade: um lugar para todos.

Queremos dividir com o Estado, a Iniciativa Privada e o Terceiro Setor a responsabilidade de abrir novos espaços para as diferentes demandas desses grupos. Houve avanços, é verdade. A questão da acessibilidade é um bom exemplo. Os desafios, porém, continuam. E como. E já que temos uma legislação consistente e valiosa na defesa dos direitos das pessoas com deficiência, por que não implementar essas leis, de forma que os direitos que já estão estabelecidos, sejam, de fato, desfrutados? Vale a reflexão.

No quesito inclusão escolar, idem. Há muito a ser feito, mesmo após a extensão do sistema educacional. As nossas crianças especiais precisam de professores capacitados para lidar com a deficiência, de instalações compatíveis e de material didático adaptado. Mais do que isso, elas merecem assistência terapêutica de qualidade. A Fundação Perrone, sediada em Jaboatão do Guararapes, é um grato exemplo disso. A entidade une qualificação técnica e muita dedicação, na tentativa de minimizar e restabelecer as funções comprometidas de crianças com habilidades diferenciadas.

Se a falta de acesso a educação é a matriz dos problemas, o acesso à ela é a solução, correto? Portanto, devemos absorver esse parâmetro e fazer valer um canal, que pode ser sintonizado em várias estações. Seja na dança, música ou arte. Atrativos que a bailarina Cecilia Brennand conseguiu reunir com maestria no seu Grupo Ária, associação sem fins lucrativos, que atende crianças e jovens de comunidades de baixa renda e vulnerabilidade social de Recife e Jaboatão dos Guararapes.

E o que fazer pelos que tiveram o direito de estudar interrompido na juventude?” Se alfabetizar na terceira idade, para quem nunca soube assinar o próprio nome, vale mais do que ganhar qualquer prêmio acumulado. É uma realização pessoal que não tem preço”, afirma Helena Aquino, coordenadora do PAE (Programa Acumulando Experiência) da Paróquia do Coração Eucarístico de Jesus, localizada na igreja do Espinheiro (Aflitos/Recife).

O nosso país é um convite à uma intensa imersão cultural. Não dá para compactuar com a discrepância entre realidades sociais. Não dá para permitir que milhões de nós, não saibam ler nem escrever. Além do direito básico à informação, o cidadão brasileiro não pode ser privado de conhecer o que aqui se produziu de melhor: literatura. Jorge Amado, Graciliano Ramos, Machado de Assis – apenas para citar alguns-  são patrimômios nacionais. É justo que as diversas obras desses gênios da escrita sejam consumidas pelo seus.

Portanto, é preciso mudar o olhar. Conscientizar é colocar as pessoas no status de gente, e não no de “portador de deficiência”, “excepcional” ou “velho”. Não, não é preciso ignorar a limitação do outro. Basta tratá-la humanamente. O Brasil precisa de agentes mobilizadores. A contribuição do voluntariado é o componente que falta para mudar definitivamente esse cenário. Una-se a essa causa.

 

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