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Silvio Tendler, um dos maiores documentaristas do Brasil, é homenageado no Cine PE 2013

Imagens: Reprodução

A XVII edição do Cine PE, que começou ontem (26/04) e segue até o dia 02 de maio, trouxe uma cartela forte de homenageados: o cinejornal Canal 100, a atriz Marieta Severo e o documentarista e historiador Silvio Tendler. Eu tenho muita admiração pelos três, mas Tendler além de ser um dos maiores documentaristas históricos do país, representa um período da minha vida e o início da minha paixão pelo Cinema. Em 2007, tive a sorte de passar por alguns departamentos da Caliban, sua produtora, e de ser ouvinte das suas aulas de Direção Cinematográfica na PUC-RJ, durante um semestre. Legado que vou levar para o resto da vida. PS: à amiga Paula Walter, o meu eterno agradecimento. Você foi a ponte para esse aprendizado.

Quando soube que ele estaria representando os grandes nomes do maior festival cinematogrófico de Pernambuco, bateu nostalgia e uma pontinha de orgulho. Era o momento de dividir com vocês algumas das suas grandes ideias.

Disseminador de fatos. Mestre na arte de documentar. Melhor Amigo da Sétima Arte. Um poço de conhecimento. Silvio Tendler faz jus aos adjetivos e aos méritos que recebe.

O Observatório Feminino fez questão de trocar uma ideia com essa grande figura do Cinema Nacional. Confira a entrevista e aguarde: ainda faremos o nosso registro sobre o Cine PE.

 

OF – Você é considerado por muitos o maior documentarista histórico do país, coleciona mais de 40 filmes no currículo, tem formação em Sorbonne, umas das mais importantes universidades de cinema do mundo,  já recebeu honras e homenagens nas grandes instituições brasileiras do segmento e prêmios internacionais… ser homenageado no Cine PE ainda emociona?

ST – Emociona e muito. Todo reconhecimento significa emoção. Principalmente depois de tantos anos de trabalho. Comecei em 1968, lá se vão 45 anos e depois de muito ostracismo e porrada essa homenagem representa que valeu a pena lutar. Briguei com a ditadura e com gente que não respeitava a estética dos meus filmes porque eles não estão inseridos dentro do “formulário padrão dos filmes de vanguarda”.  Meus filmes tem locução com narrador, quando os manuais dizem que as narrativas devem ser construídas pelas palavras dos outros e não pela palavra do autor. Isso é uma falácia dos que transformam os entrevistados em ventriloquist dos seus desejos. Briguei muito desde a época em que documentário era considerado um gênero menor. Já me perguntaram: “você faz cinema ou é documentário?” (risos)…Mas fico muito feliz com esta homenagem e este reconhecimento. Uma correção: são mais de cinquenta filmes. Ano passado terminei mais 13 de 26 minutos cada, a série “Caçadores da Alma que foi ao ar na Tv Brasil e recentemente conclui um etnodoc, o “Sujeito Oculto na Rota dos Grande Sertão”.

OF – Como você enxerga o cinema pernambucano?

ST – Historicamente muito bem. Aprendi a amar o cinema pernambucano nos idos dos anos 80, quando conheci um grupo de superoitistas e alternativos. Também fui ciceroneado pelo Flávio (esse dr. Alzheimer me mata, me foge o sobrenome, rs), que me levou para dar um curso na Católica e me apresentou a Fernando Spencer, a Celso Marconi. For isso, tive o prazer de conhecer Geneton Moraes Neto  ainda menino e conheci um dos maiores agitadores culturais do Brasil, Jomard Muniz de Britto, grande poeta, professor superoitista, que era múltiplos antes da era dos multimeios. Aí conheci o cinema de J. Soares e como diretor do Festival de Brasilia, tive a oportunidade de premiar “Baile Perfumado”de Lírio Ferreira e Paulo Caldas. A galera de Pernambuco invadiu o Cine Brasília, que aprecia até a torcida do Corinthians. Sem esquecer o Cláudio Assis, é claro…

OF – Uma das suas maiores lutas é colocar abaixo a exclusiva referência de público de filmes no Brasil a bilheterias, já que são os únicos números de espectadores contabilizados. Qual seria o maior ganho dessa conquista?

ST – O maior ganho é tirar filmes e espectadores da invisibilidade que a política equivocada da Ancine nos projeta. Imaginar que o menino que assiste na laje, na comunidade, na escola, no Youtube não contam é afirmar uma política plutocrática de um capitalismo caipira que transforma em fracasso filmes de grande sucesso e cidadãos apaixonados por cinema que não se confundem com os códigos de barra dos cinemas de shopping. Cinema é arte , cultura e entretenimento, todos os filmes e todos os públicos devem ser respeitados. Se essa referência não fosse tão restrita, o cidadão que quer discutir sobre vida, política, história ganharia. O Cinema também ganharia e, consequentemente, o Brasil. Perdem os mediócres que só pensam em grana e poder. Pobres coitados.

OF – Na sua opinião, qual é a personalidade mais forte na História Nacional?

ST – É sempre o último que retratei, rs. Não existe o mais forte. São muitos públicos e anônimos que lutam por uma vida melhor. O mais forte são todos juntos ou o Anderson Silva, se preferir, rs.

OF – Qual é o maior desafio de fazer cinema no Brasil, nos dias de hoje?

ST – Descobrir um bom tema e criar condições para realizá-lo. Todo filme é um novo desafio, a cada dia de filmagem. Principalmente se tratando de documentário.

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  1. Confesso que fiquei surpresa com esta matéria/entrevista, sou fã incondicional do Silvio, admiro o trabalho dele, acredito que tenho quase todos os documentários produzidos por ele. Já tive a oportunidade de utilizar alguns em sala de aula, nas Faculdades em que já ministrei aulas. Atualmente, estou trabalhando com O VENENO ESTA NA MESA!
    Obrigada por nos presentear com esta entrevista memorável! Abs

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