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Que tiro foi esse?   

Foi contra a  estudante Larisse Isídio da Silva, 21, baleada neste domingo (21) na praia da Reserva, zona oeste do Rio de Janeiro, depois que um policial à paisana reagiu à abordagem de um homem armado.

Foi contra Michelle Ramos da Silva Nascimento, 33, grávida de oito meses, baleada na cabeça, no dia 13, durante uma tentativa de assalto em Belford Roxo, no Rio.

Foi contra o soldado Marcos Vinícius da Silva Alves Azeredo, que tornou-se o sexto policial militar assassinado no Estado do Rio de Janeiro neste ano, ao ser baleado durante uma tentativa de assalto em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, no dia 16.

Foi contra Cristiano Frias, alvejado por criminosos da comunidade do Gogó da Ema, numa rua de acesso à favela, quando tentava buscar o filho na casa de parentes.

Foi contra o delegado Fábio Monteiro, que trabalhava no Rio, na Central de Garantias, e foi encontrado morto no porta-malas de um carro. dar nFoi contra o flanelinha Romário de Oliveira Resende, 27, morto por PM após insistir em jogar água no para-brisa de carro, também no Rio.

Foram contra os três irmãos mortos quando estavam em um bar na tarde do domingo (21), em Ribeira do Pombal, cidade a cerca de 300 quilômetros de Salvador (um deles foi decapitado e a cabeça não foi encontrada).

Foi contra o adolescente baleado na cabeça, dia 21, após discussão por causa de pipa em Cuiabá.

Foi da briga de vizinhos, em Massaranduba, que terminou com dois homens mortos e um ferido no sábado, 20.

Foi contra a jovem Nicole Souza Oliveira, 18, baleada no rosto durante discussão com um vigilante em Roraima, no dia 20.

Foram – e têm sido – tantos estampidos que nosso bom humor anda zonzo. Foi – e tem sido – tanta zona de tiro, que nosso carnaval perde o sono. Foi – e vem sendo – tão violento que não nos parece mais estranho. A moda de se jogar no chão, em público, e simular que foi vítima de um disparo de arraso, seria graça, se não fosse trágico. A performance de impacto, que pega de assalto os desavisados, seria graça se não fosse aqui. O mundo leve perdoe meu texto chato. Mas eu morro de medo de levar susto nesse mar de sangue, onde todo banhista já morre afogado.

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“Que Tiro Foi Esse?”, da Jojo Maronttinni (ou Jojo Todynho), é a música do momento. Promessa de chiclete no carnaval, e moda entre as celebridades, o hit viralizou nas redes, com vídeos nos quais as pessoas aparecem caindo no chão depois de baleadas por um ”tiro de fechação”. O que pouca gente sabe é que esse viral iniciou em 2013, quando uma mulher, assassinada por engano, no lugar da irmã, postou no Twitter, minutos antes de morrer, que havia sido baleada na sala de casa. Sem saber do que se tratava a história, as pessoas passaram a questionar ”que tiro foi esse, do qual estão falando?”, e a curiosidade virou uma expressão, mais a frente usada como algo bom, quase um sinônimo de ”arraso”.

É engraçado. Até que alguém finge cair no meio de um ônibus lotado, ”matando” do coração todo mundo que já anda na rua com medo de violência, de briga, de estupro, de sequestro, de furto e de assalto. 

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