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Quando o assunto é violência contra a mulher, o Brasil ocupa o 5º lugar no mundo

Andrezza tinha 18 anos e todos os sonhos de uma jovem da sua idade. Era alegre, bonita, divertida, gostava de baladas e de curtir a vida. Foi numa dessas baladas que encontrou Rafael, um jovem bem mais velho que ela. Foi atração à primeira vista. Ficaram juntos nessa noite e assim foi por um bom tempo. Mas aquela jovem alegre, aos poucos foi se modificando. Ele era possessivo, ciumento, e a privava do convívio com os antigos amigos. Na cabecinha de Andrezza, isso tudo acontecia porque ele a amava tanto que não queria dividi-la com ninguém. Ela era dele, só dele. A família reclamava, aconselhava, mas como fazê-la entender, no auge da paixão, que aquele não era um bom rapaz?

O tempo foi passando e Andrezza cada vez mais envolvida. Um dia, quando saíram juntos à noite, ela não voltou mais. Todos achavam que tinham fugido. A polícia foi acionada e depois de várias investigações, descobriram que a verdade não era tão simples assim. Eles não fugiram. A realidade era bem outra. Ele fugiu sozinho, pois num momento de ciúme excessivo, eles brigaram e Rafael matou a namorada. Desnorteado enterrou o corpo num matagal distante e fugiu.

Ela só tinha 18 anos e uma vida cheia de sonhos que foi destruída por um namorado perturbado que não sabia controlar suas emoções. Mas ela é apenas mais uma nessa estatística cruel em que as mulheres são vítimas dos namorados ou companheiros. Seu caso é apenas mais um dessa violência galopante em que vidas são ceifadas por muito pouco. Matar tornou-se algo banal. E os números só fazem aumentar. Ainda não se sabe como controlar essa violência. Talvez se os políticos e autoridades competentes sentissem na pele a dor desses pais, algo mais efetivo fosse feito. Talvez até mudassem as leis tão flexíveis para que as penas fossem mais duras e os assassinos pensassem duas vezes antes de tirar a vida de alguém.

Ainda são contabilizados no Brasil 4,8 assassinatos a cada cem mil mulheres, apesar da Lei Maria da Penha. Isso nos permite ocupar um assombroso 5º lugar no mundo nesse tipo de crime. Desses, um pouco mais da metade são cometidos pelo parceiro ou ex. Em 2016, 503 mulheres sofreram agressões físicas a cada hora. As agressões mais graves, 43%, se deram dentro de casa e 39% nas ruas. E elas têm crescido em vez do cenário melhorar, como querem nos fazer acreditar. É inacreditável essa constatação, mas a cada 7 minutos, ocorre uma denúncia de violência contra a mulher. Sem contar as que preferem calar porque dependem de quem as maltrata, ou por vergonha, ou porque têm medo do companheiro fazer coisa pior.

O que se vê são assassinos cruéis com benesses, sendo libertados em curto tempo por bom comportamento. Matar passou a ser uma notícia que logo é esquecida, porque surgem outras e outras que diariamente estampam as capas dos nossos jornais e são manchetes dos noticiários de televisão. O que fazer diante disso tudo? Que incompetência é essa dos nossos governantes que não conseguem conter a violência contra a mulher e contra a sociedade de um modo geral? Só nos resta rezar para não sermos a próxima vítima.

Josilene Corrêa é jornalista

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