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Por que um casamento sobrevive com a teoria da garrafa d’àgua?

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Antes de entender onde mora o feminismo, a gente (quase) aceita a ideia de que mulher nasceu com um dom único pra cuidar da casa. Que homem não sabe “tirar a mesa”, forrar cama e perceber a hora de encher a garrafa d’àgua. A gente cresce, se empodera e se mete, em alguns casos, num casamento com um cara. Aí chega a hora de mostrar ao boy que ele pode não “tirar a mesa”, mas é automaticamente escalado para lavar os pratos. Pode não forrar a cama, mas vai ter que aprender a limpar poeira do filtro do ar-condicionado. Pode não repor a água, mas vai ter decorar as tampas dos tupperware de casa. Porque a gente é foda, criativa, forte, evoluída, desenrolada, sabe  ter criatividade pra ensinar, com requintes de amor, que não-vennha-com-machismo-pra-cima-de-muá:

Amiga. Dois anos de casada. Liga chorando pra dizer que casamento não é fácil. Pergunta qual o segredo para duas pessoas viverem felizes debaixo do mesmo teto.

Eu explico a teoria da garrafa:

São três horas da manhã. Você abre a geladeira. Encontra duas garrafas de água . Uma quase vazia e uma quase cheia.

Se você é solteira, você bebe o restinho de água no gargalo e abandona a garrafa na pia por uma semana inteira. Você é livre. Sozinha. Desapegada.

Se você é casada, você bebe o restinho de água no copo, enche a garrafa de novo e guarda a garrafa de volta na geladeira. Puta da vida. Porque ninguém enche a garrafa de água dentro daquela casa. Porque você queria mesmo comprar um gelagua. Porque sua vida é encher porra de garrafa d’Água.

E se você é criativa? Se você é criativa, você enche a garrafa quase vazia com metade da água da garrafa quase cheia. Guarda as duas garrafas com água pela metade e vai dormir satisfeita.

Viver a dois não requer amor. Amor a gente precisa na hora de doar um rim. De pegar 12 horas de estrada, de escrever uma carta apaixonada. Casamento requer mesmo a criatividade de uma dupla safa.

Pra reclamar sem magoar, pedir sem pressionar e inventar o almoço de domingo com dois ovos. Pra entrar no banheiro sem respirar, pra guardar as roupas sem amassar, pra criar agendas conjuntas e individuais sem esforços.

Pra não odiar a rotina, pra entender aquelas manias e pra ignorar as toalhas molhadas.
Pra ter assunto novo e pra reinventar a piada.

Criatividade pra administrar as contas, tirar cabelo do ralo e dar aulas sobre aqui-não-existe-macho-alfa.

Criatividade pra nada. Pra deitar numa rede ou fazer uma massagem. Criatividade pra rebolar com o mau humor do outro, dividir as tarefas por igual, fazer da diferença algo normal e abafar o barulho do ronco com o próprio travesseiro.

Criatividade pra equilibrar as vidas como se fossem duas garrafas d’Água pra um copo sempre cheio.

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