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O meu príncipe encantado era bipolar

 

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Estava procurando entender como funciona a cabeça dos homens. Confesso que não consegui entender, mas deixa pra lá. Talvez isso aconteça porque os que surgiram na minha vida não tenham sido nada fáceis, foram complicados até. Aí um dia você conhece alguém, aparentemente, incrível, e aposta todas as fichas nesse relacionamento… Acha que dessa vez tirou a sorte grande, pois é um cara simpático, inteligente, bom de papo, gosta de muitas das coisas que você gosta… Enfim, o seu príncipe encantado! E olhe que ele surgiu quase sem querer, por obra do destino, numa dessas viagens que você faz apenas porque quer mudar de ares, quer esquecer algum problema. Seus amigos insistiram e você topa, apenas para não ser chata. Logo no segundo dia, vocês se encontram e a magia foi recíproca. Ah, a paixão! Eu fiquei perdidamente apaixonada por aquele sorriso, por aquele olhar enigmático e nem me dei conta do resto. Mas que resto? Bem, ele era tudo que eu sonhei.

O tempo foi passando e a gente fazendo planos. Era tudo tão excitante! Viagens e mais viagens! Aproveitávamos o máximo cada segundo! Conhecemos vários lugares incríveis, pois era o que mais gostávamos de fazer juntos. Minhas amigas me invejavam, afinal, conquistara um sujeito bonitão, um advogado de renome e que não media esforços para realizar minhas vontades. Enchia-me de presentes e mimos. Quem não gostaria de ter encontrado alguém assim? Quem? Quando voltávamos à rotina, as coisas não eram tão mágicas assim, mas eu achava que era por conta da adaptação e que logo iríamos encontrar o equilíbrio. Ele era extremamente preguiçoso. Sim, ele tinha defeitos! Não me ajudava em nada em casa e ainda queria tudo do jeitinho dele e como a mãe sempre fez. Era também mal- humorado, e me deixava horas sozinha, quando tinha alguma coisa que não o agradava. Meu Deus, cadê meu príncipe encantado? Mas o tempo, sempre o tempo, aos poucos vai mostrando suas verdades e, às vezes, elas doem bastante!

Um dia, conheci alguém que tinha sido namorada dele e percebi que ela tentava me dizer alguma coisa, mas ele evitou ao máximo esse contato. Fiquei curiosa, mas tentei disfarçar. Através das redes sociais, ela me localizou. Começamos a conversar e pude perceber o interesse dela em me dizer alguma coisa. Nada disse a ele sobre nosso encontro, mas fui até ela com a certeza de que o que eu iria ouvir não seria nada agradável. E não foi. Ela me falou do namoro e do tempo que passaram junto. Mostrou-me um homem estranho, ciumento, agressivo, possessivo e egoísta. Disse-me que chegaram ao limite quando ele a agrediu. Foi quando descobriu que ele era bipolar. A família escondia, mas o comportamento dele aos poucos ia tornando isso evidente. Ele tinha uma irritabilidade extrema e ficava zangado quando suas vontades e desejos não eram satisfeitos. Suas alterações emocionais eram imprevisíveis… Ela me falou que o pai dele também tinha esse problema e que tomava medicamentos estabilizadores do humor. Suas crises eram repetitivas e numa delas ele cometeu o suicídio. Depois que ela me falou isso, entendi porque evitava falar no pai. Achei que fosse por sentir saudades e sofrer com esse assunto, mas era uma forma de me esconder a forma como morreu e o porquê disso ter acontecido.

Foi terrível saber daquilo tudo. Mais uma vez quebrei a cara. Saí dali arrasada e com o coração apertado. Percebi que não poderia levar aquele relacionamento adiante. Até porque ele não procurava ajuda e eu estava à mercê de uma pessoa que a qualquer momento poderia me agredir e me fazer algum mal. Tinha medo. Conhecia alguns casos de pessoas assim e isso me assustava bastante. Voltei pra casa com a sensação de vazio profundo. Meus sonhos todos jogados fora. Eu teria que recomeçar e bem longe daquele homem que antes me parecia o homem da minha vida.

Não lhe disse nada do que tinha acontecido, mas procurei um gancho e durante uma discussão disse-lhe que não queria mais continuar nosso relacionamento. Ele me olhou com os olhos esbugalhados e não esboçou nenhuma reação. Acho que não acreditava muito no que eu estava dizendo, até que no dia seguinte, peguei minhas coisas e fui embora. Não voltei para a casa dos meus pais porque lá ele iria me encontrar de novo. Fui para a casa de uma prima e pedi abrigo provisório até que me reorganizasse. Tinha emprego e poderia me sustentar, mas precisava de um tempo para encontrar um cantinho só meu. Foi quando surgiu na empresa em que trabalhava a chance de ir para São Paulo. Não titubeei. Era tudo o que mais queria naquele momento.

Já faz três anos que isso aconteceu. Soube que ele encontrou outra pessoa e estão vivendo juntos. Soube também que ele aceitou fazer tratamento. Menos mal. Desejo do fundo do meu coração que seja feliz. Há um ano estou feliz e casada com um homem cheio de defeitos, mas normal. Não é nenhum Deus romano, mas é o cara certo pra mim e para o filho que estou esperando.

Claudiane F.S. é uma administradora de empresas. Ela quer mostrar com sua história que devemos ficar atentas a relacionamentos  mágicos e rápidos demais, porque as pessoas não se mostram como são. Para tudo é preciso cautela. A história dela teve um final feliz, mas poderia não ter tido. É preciso ficar alerta, pois o inimigo não só pode morar ao lado, como na nossa cama.


Edição: Josilene Corrêa

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