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"Eu mesma faço a minha acessibilidade."

Imagem: Reprodução

O conceito de acessibilidade pode ser definido como a capacidade do meio de oferecer a todos uma igual condição de uso, de maneira prática, constante e o mais independente possível. A garantia desse direito é uma eficiente maneira de prevenir a não inclusão de pessoas com mobilidade condicionada e de otimizar a qualidade de espaços e serviços para todos os seus usuários.

Leni, pronta para a aula de dança!

Para tentar compreender melhor a realidade de pessoas que têm alguma limitação motora, o OF conversou com uma cearense de tirar o chapéu. Leni Lima tem 35 anos, é mãe, esposa, dona de casa, estudante, joga basquete e faz dança de salão. Tudo isso em cima de uma cadeira de rodas. Há cinco anos, ela soube que era portadora de Paraparesia (paralisia incompleta de nervo ou músculo dos membros inferiores ou superiores). Mas a notícia não foi capaz de tirar a alegria e a independência de Leni. Ela fez algumas adaptações, mas manteve a agenda agitada. Confira as melhores partes dessa conversa! Na pauta: condições de acessibilidade, garantia de igualdade e a esperança de um Brasil mais igualitário nesse momento de grande visibilidade internacional, com os preparativos para receber a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

Em quais momentos você tem o seu direito de ir e vir interrompido?

LL – Quando me sinto incapaz de usar o acesso que me é oferecido, porque algumas pessoas que se dizem “normais” são mal educadas e insistem em ocupar um espaço que não é destinado a elas. Nessas situações, me sinto extremamente desrespeitada. Para realizar todas as minhas atividades, eu preciso de estruturas acessíveis. Eu ainda encontro dificuldade de transitar em várias situações: no ônibus, nas calçadas, na maioria dos locais que frequento. Mas, mesmo enfrentando contrariedades, eu tento me adaptar. Eu mesma faço a minha acessibilidade.

OF – O Poder Público e os estabelecimentos em geral pensam no quesito acessibilidade?

LL – Meu sonho é ter um país ideal nesse quesito. Certo que esse aspecto já vem sendo considerado na nossa sociedade, mas as práticas públicas ainda não são suficientes. As plataformas de acessibilidade estão longe de funcionar com perfeição. Os locais mais antigos vão se adaptando aos poucos. O problema é que se não houver cobrança, os avanços não acontecem.

OF – Nos espaços públicos, quais as melhoras mais significativas já realizadas em prol dos cadeirantes?

LL – Os nossos governantes têm tentado cumprir as leis, investindo na construção de rampas, por exemplo. Só que muitas vezes nós, cadeirantes, não conseguimos utilizá-las porque algumas delas são íngremes demais ou estão inacabadas. Isso precisa ser revisto com urgência.

OF – A Copa do Mundo e as Olimpíadas estão aí batendo as portas, mas problemas como a falta de segurança pública, a precariedade do saneamento básico e a deficiência da educação continuam bem visíveis. Será que em meio a essas grandes realizações, a questão da acessibilidade vai ser considerada no Brasil?

LL – É a nossa maior esperança. Prefiro acreditar que esse será o tempo em que teremos um Brasil acessível para todos. Vamos aguardar, o país precisa trabalhar para isso!

OF – A garantia de igualdade é um conceito moderno de tratar o tema deficiência ou é uma utopia?

LL – Utopia. Ainda há um longo caminho para que essa garantia de igualdade seja real e esteja assegurada para todos que precisem contemplá-la. A vida dos portadores de deficiência só vai melhorar, de fato, quando o Poder Público conseguir colocar em prática o seu discurso e as ações prometidas se tornarem realidade.

 

 

 

 

 

 

Leni Lima,

Estudante de Gestão de Marketing.

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