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FelizzzZZzzZZZzzzzzZZZ dia da mulher…

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É quase fim de um 8 de março preguiçoso. Desses que nos fazem querer trocar a vida por duas horas de Netflix e as botinas de guerra por duas pantufas desiguais.

Tive preguiça do noticiário, com sua mania caduca de tratar feminicídio como crime passional. Preguiça do oba-oba dos sites, das firmas e das piadas machistas que liberam as mulheres de lavar a louça por um dia. Preguiça do Facebook e de gente falando que é humanista, no lugar de feminista, porque patina seu sexismo no gelo da desconhecida filosofia moral.

Preguiça de quem se vê feminista, mas despreza, diminui ou machuca qualquer mulher que entenda sua luta de uma forma diferente. Preguiça da superioridade discreta que cega e se recalca de dor. Preguiça de mim, que às vezes arregaço as mangas, outras vezes puxo a saia. Preguiça da minha autoestima culpada. Preguiça da minha vergonha e do meu pudor.

Preguiça da inveja e disputa que nos foi ensinada. Preguiça da militância que é disfarçada. Preguiça de manterrupting, bropriating, mansplaining e gaslighting. Preguiça do dicionário. Preguiça de julgamento. Preguiça da opressão que finge amor.

Preguiça de egocentrismo. Preguiça da companhia que nos contamina com essa exigência doentia de beleza etérea, celestial.  Preguiça suprema de quem aceitou virar vitrine para o próprio manequim vazio. Preguiça dessa vaidade sem rumo que nos apodrece e suga as bochechas. Preguiça de quem não consegue conduzir uma conversa que não envolva dieta, roupas e conceito de perfeição universal.

Preguiça do que não nos empodera, soma e evolui. Preguiça de quem pesa. Do que não flui.

Tanta preguiça de tudo. Do mercado que nos oferece menos e do trabalho que nos exige mais. Do garçom que nos atende de outro jeito e dos olhares críticos do trânsito. Preguiça do varal cheio de roupas em casa, das leituras atrasadas e da obrigação intelectual. Preguiça de querer agradar a todos. Preguiça do esmalte descascado. Preguiça de marcar terapia.

Preguiça do presidente que compreende toda mulher como dona de casa. Preguiça da livraria que faz promoção feminina e exclui livro de exatas. Preguiça da música que nos ridiculariza. Da propaganda que nos expõe. Da cultura que nos idealiza. Da sociedade que nos obriga. Da família que nos culpa. Da arte que nos suprime. Da gentileza sutil que subestima nossa inteligência.

Preguiça dos vizinhos, dos chefes, dos colegas, da preguiça arrastada dos dias. Preguiça dos peitos pesados no período pré-menstrual. Vontade de me trancar num quarto escuro de mundo e só sair quando o choro secar.

FelizzzzZZZZzzzzZZZ dias das Mulheres. FelizzZZZZZzzz apatia de mais um dia normal.

 

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