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As viagens da viagem

Imagens: Arquivo Pessoal e Reprodução

Hoje chegamos ao fim da série Montreal: o início de tudo, e talvez esse seja o momento mais difícil de economizar nas palavras. Não sei se foi uma decisão acertada, mas optei por falar nas outras cidades que tivemos o prazer de conhecer juntas, partindo de Montreal, nesse post de fechamento.

Vou tentar ser objetiva, mas admito que escrever sobre certos embarques é desafio pessoal. Na tentativa de transmitir o melhor vivido em cada destino, busco a fidelidade das sensações experimentadas e volto feliz o filme de cada viagem. Mas Montreal é diferente, mexe comigo. Uma terra intensa, pulsante, que não por acaso foi o divisor de águas da minha vida.

Está sendo uma delícia rever as fotos, assistir novamente aos vídeos. Mas muito além de textos e dicas, essa série é uma homenagem às surpreendentes amizades, aquelas que surgem sem pedir licença e conquistam um significado especial em dias.

Mas vamos ao ponto. Logo na primeira semana de aula, tivemos a oportunidade de conhecer Ottawa, capital do Canadá, no Canada Day. Fomos com a turma do curso, o que tornou o passeio bem mais agradável, já que a cidade em si não empolga muito, de todos os ângulos só víamos castelos e mais castelos.

Na ocasião, as ruas estavam tomadas de pessoas desfilando as cores do país (vermelho e branco!), fogos estouravam o tempo todo e havia muitos policiais musos em serviço, por isso esperávamos uma comemoração mais quente. Doce ilusão.

Após o almoço, fomos assistir aos shows na praça principal e para a nossa surpresa éramos o grupo mais animado do local. Foi estranho ver as pessoas sentadas na grama em meio a uma comemoração nacional, ninguém dançava fora a gente. Era o espírito festeiro brasileiro falando alto. Deixamos Ottawa sob o impacto das diferenças culturais, mas felizes em participar desse acontecimento canadense.

Mas o melhor estava por vir. A viagem dos sonhos.  O Destino?  Nova York! Gente, assim que fechamos o pacote, entramos em contagem regressiva. Os 3 dias em NY foram hilários, a começar pelos nossos guias turísticos chineses, que tinham uma pronúncia terrível no idioma. Fechamos com uma empresa ching-ling por motivos óbvios: o preço. Nessas circunstâncias, tínhamos consciência que os passeios oferecidos por eles poderiam ser uma barca furada, mas encaramos com bom humor as 8 horas de ônibus, afinal, a metrópole mundial nos esperava. As chances voltarmos insatisfeitas eram nulas.

E sem tirar nem por, cada minuto valeu a pena. Apesar do gato por lebre (nos hospedamos em New Jersey, e não em NY), visitamos algumas atrações obrigatórias, como a Estátua da Liberdade, a Ponte do Brooklyn, o museu Madame Tussauds, o Top Of The Rock, as fachadas da ONU e do New York Times (era o OF já pulsando na veia!), a Times Square e o Incredible Intrepid.

Porém, uma das paradas mais importantes da nossa trip nova-iorquina foi a visita à reconstrução do World Trade Center. Definitivamente não há como passar por lá sem se comover. Em minutos, aquele visual devastador tomou conta da gente e sentimos um pouco da dor que tomou conta do povo americano no dia 11 de setembro de 2001, com o atentado às Torres Gêmeas.

Mas chegou uma hora que deu pra gente e decidimos nos desgarrar da excursão. Deixamos o Madame Tussauds e caímos no primeiro bar que vimos pela frente – sorte nossa, era o Applebee’s! Com um chopp estúpido e alguns petisquetes foi fácil virar a tarde ‘naquela dificuldade’. Entre um gole e outro, fizemos amizade com os garçons dançarinos, que até se esforçaram para nos deixar em sincronia com os passinhos do Waka Waka (música oficial da Copa 2010), mas o negócio não deu muito certo! Rsrsrs!

Na volta de NY, uma tristeza danada. Para compensar o amargo retorno, o jeito foi gastar os derradeiros dólares em bugigangas e achados especiais, que diga-se de passagem, cada centavo foi compensador. O local era gigantesco, ficamos malucas, andando de um lado pro outro sem saber o que comprar. Ana Karla parecia uma sacoleira – ela levou presente pra toda a família! Infelizmente, tudo que é bom, dura pouco…NY foi ficando pra trás, mas era confortante saber que Montreal continuava lá, de braços abertos para nos receber de volta…

Por pouco tempo, já que no final de semana seguinte, decidimos conhecer Quebec. Para nossa surpresa, encontramos uma cidade bem diferente do que imaginávamos. A começar pela população. Ficamos literalmente chocadas com a faixa etária das pessoas, só víamos idosos usando cadeiras de rodas automáticas por todos os lados. Quando chegamos num shopping de lá, tivemos a sensação de estarmos num hospital, eram poucos os que se locomoviam a pé. Pena não termos tirado fotos dessa concentração de cabecinhas brancas motorizadas.

Podemos não estar sendo justas com Quebec, mas a primeira impressão que tivemos foi de uma cidade opaca, com adornos antigos. Queríamos encontrar algum agito, um local com vida própria, mas ficou para a próxima. O dia também não ajudou muito, o céu cinzento tirou um pouco do clima.

Apesar de termos voltado desapontadas da maior província do Canadá, queríamos mais viagens da viagem para carimbar a nossa temporada québécois.

Mas definitivamente aquilo tudo pareceu um sopro. O tempo das pernambucanas em Montreal estava se esgotando…e nem sequer havíamos parado pra pensar no que fazer depois que aquele sonho chegasse ao fim.

Agora sabemos que aquele tempo esgotado há 3 anos, nos dá respostas. A série Montreal: o início de tudo foi a melhor delas. Aliás, mais que uma resposta, uma recordação pra vida, coisa que nada nem ninguém vai poder tirar da gente. Nunca.

Confira os outros posts da série:

“Você é pernambucana?”

Montreal: a terra dos prazeres gastronômicos

4 Comments

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  1. Carol que você é uma excelente jornalista eu já sabia, que você é um bocado de louca, eu também sabia, mas o melhor da série foi descobrir a sua sensibilidade em transmitir cada lugarzinho, me senti como se estivesse com vocês. Deu uma inveja. Quem sabe um dia não voltamos todas.

  2. Nossa, deu pra viajar com vocês, mesmo. Suelen tem razão… que inveja (branca, lógico). A cara de vocês duas de chapéu de alce, é demais. Também quero. Vamos marcar algo urgente, nem que seja um tour por Caruaru!

  3. Que bom que a viagem ao Canadá serviu para unir duas pessoas maravilhosas. Adorei saber detalhes dessa experiência de vocês, o início da amizade, as viagens, as curtições, os problemas (que sempre aparecem), a saudade que fica, enfim, tudo o que envolve duas pessoas quando se submetem a um intercâmbio cultural. Espero compartilhar sempre da amizade das duas.

  4. Viajei com vocês! O relato apresentado é rico em detalhes, sensibilidade e bom humor! Além de tudo enaltece o valor de uma amizade.

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